
E então que agora ele estava na escuridão. O tempo havia mudado de repente. Há pouco sua vida era normal, com todas as banalidades de todos os dias. É que aí o fúsivel queimou e tudo desandou...
Agora em meio à falta do que fazer, estava perdido em pensamentos fúteis, não fúteis como sempre foram, mas fúteis baseados nas futilidades de se ter uma vida escura. Buscava algo para se divertir. E nada então existia! Achou em meio aos destroços da luminosidade daquele dia, uma lembrança de um passado longíquo. Mas uma lembrança que o ajudaria a comunicar-se com o outro mundo. O mundo com luz!
Nesta hora poderia até ter se lembrado da ironia daquele momento. Estava em meio a um mundo de trevas. Um mundo que era semelhante ao que ele pertenceria quando deixasse de viver. A diferença seria o fogo que o queimaria.Nunca fora uma boa pessoa. Alias, já sim! Em um passado mais remoto do que aquela lembrança, ou então em meio a surtos em que deixava a sua maldade de lado e socorria alguém que precisava da sua ajuda.
Mas não era esse assunto. Não o de agora. Se comunicou com um amigo de um mundo diferente. Um mundo com luz. O que seria um pouco ironico também, uma vez que o amigo não pertencia a um mundo de luz, e sim ao mesmo mundo de trevas em que ele estava agora.
O pouco que conversaram ele pôde descrever ao amigo como era escuro onde ele estava. O que poderia ter feito o amigo mudar o seu jeito de viver devido ao medo daquele lugar. Mas não mudou. Esse seu amigo não tinha medo do que viria depois da morte. Preocupava-se mais com o agora. Com a vida mundana que ele estava levando. O amigo pensou até mesmo em se juntar a ele naquela escuridão por achar que seria divertido.
E então que pôde-se ouvir alguém dizendo... "Faça-se a Luz!"
E então que tudo voltou à claridade... Uma claridade reveladora. E agora ele estava enchergando as coisas de uma maneira diferente. E agora ele estava vendo tudo que sempre teve vontade de ver. E agora ele estava alegre por ter se desprendido daquela escuridão.
Alegre demais. Se tivesse um pouco menos alegre, poderia ter notado os gritos de socorro do amigo que agora estava preso (ou melhor, morto) em um mundo do qual nunca mais sairia!









