sexta-feira, 30 de novembro de 2007

"X"


"E em meio a uma batalha de sentimentos, nada melhor do que um 'VERSUS'".

Ouvia gritos. Gritos vindos de fora de tudo aquilo. Pessoas brigavam.
Brigavam por coisas simplórias, mas complicadas. Fúteis, mas complexas. Porque brigavam se podiam estar se amando?

Resolveu olhar um pouco para fora de si. Ver como estavam as coisas do lado de fora da sua cabeça.

Chegou até a porta, girou a maçaneta e abriu os olhos. Estava tudo muito bagunçado. Os gritos continuavam vindo de algum lugar. Deu uma volta por ali. Lugares normais, que já faziam parte do seu cotidiano, estavam absortos em bagunças incontroláveis. Um grito mais forte. A briga estava se itensificando!

Continuou a andar. Pessoas que ele conhecia o cumprimentavam. Acenos, beijos, abraços. Gestos simples que o faziam se sentir vivo. Um bate. Algo se espatifando contra a parede.
Um grito (e consequentemente uma voz)!

Uma voz conhecida que o fazia sentir uma paixão incontrolável.
Uma voz (a mesma voz) conhecida que o fazia sentir uma vontade de fugir incontrolável.

Viu de onde vinha os vestígios de briga. Um quarto mais ao longe.

Tropeçou em alguma coisa. Levantou-se, voltou a andar e tropeçou novamente. Eram seus cadarços, soltos, dessamarrados.

O avesso do espelho que o refletia.

Olhou para sua própria imagem e viu algo diferente. Algo maléfico, algo incomum. Sentiu medo. Levantou-se. Parou. Tinha que cuidar de si antes de continuar. Amarrou o cadarço. Prendeu-o, amarrou-o. Ao mesmo tempo que fazia o inverso com ele mesmo. Seguiu em frente. Déjà vu. Chegou até a porta, girou a maçaneta e entrou.

Uma sala escura na qual a única fonte de luz era o monitor de um laptop caído de lado. Onde pode reconhecer uma janela de uma conversa mal acabada no MSN.

Viu apenas três coisas além disso.
O "N"...
O "V"...
O FIM.

Voltou para onde estava.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

A SEXY e a CONFUSÃO

Começou por ela. Talvez por ser tão recente. Talvez por estar tão ausente. Não vem ao caso o porquê, mas foi por ela que ele começou.

Pegou a foto dela e começou a olhar. Escolher um sentimento para ela? Não deve ser muito difícil. Começou a lembrar do que já passaram juntos. Aquele dia em que a viu pela primeira vez. Dentro de uma sala de aula e ficou morrendo de vontade de conversar com ela. Ela! A menina risonha que fazia tantas brincadeiras e de quem ele já ouvira muito falar.

Memória falha... O que sentia por ela? Naquela época era a curiosidade, a vontade do novo. A excitação do desconhecido.

Lembrou-se de quando finalmente conversou com ela. Não lembra como teve coragem. Bateu na porta da casa dela e com a cara mais 'lavada' do mundo disse entre um sorriso: "Oi!".

Era o novo sendo descoberto. E como em um passe de mágica veio a paixão. Como queria continuar ali. Entre sorrisos e palavras sem sentido! Foi embora. Não roubou-lhe um beijo. Nem ao menos disse algo. Deixou-a acenando a mão à porta da sua casa.

E então veio ela, A SEXY, naquela noite.

Aquela noite em que ela surgiu do nada e reviveu emoções... Aquele dia em que se tornou amigo dela... Aquele dia que quase tomou coragem para dizer o que sentia. E... aquele dia. O dia em que (quase) a perdeu.

E ficou nesse estado por um bom tempo. Coisas aconteciam, pessoas surgiam e então a raiva. A raiva que sem qualquer explicação surgiu dentro dele. "Nunca mais vou olhar na cara dela", essas palavras ainda eram lembradas por ele. E então passou. Veio a pena. A compaixão. E junto dela novamente a paixão. E quando não havia mais esperanças o amor novamente.

Não amor de homem e mulher. Amor de anjo, amor de amigo. Amor do mais simples e puro amor. Mas um amor que para sempre esconderia uma paixão.

Voltou a si. Deixando as lembranças um pouco de lado. Qual o sentimento que acompanharia aquele rosto 'sexy' (porque é essa a palavra que a define) da fotografia?

Revirou a sua caixa de sentimentos. "Amor", "Paixão", "Curiosidade", "Raiva"? Estavam todos ali. Mas não conseguia se decidir. Era só pensar nela que tudo ficava confuso. Olhou para dentro da caixa e viu. Viu algo vermelho bem no fundo da caixa. Era esse!

A CONFUSÃO!

Uma simples, mas muito significativa, interrogação vermelha que acompanharia aquela foto.

Tinha dado o primeiro passo para arrumar aquela bagunça. O primeiro passo para conseguir chegar à algum lugar. Não qualquer lugar. Mas o lugar para qual ele tinha, verdadeiramente, que ir. Seja esse lugar qual for, era para lá que ele estava se encaminhando.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

AÇÃO!

A luz. O barulho. O escuro. Não há muito o que dizer. Mas foi assim que aconteceu. Não há muito o que explicar, mas foi assim que se podia sentir. Ele soltou-se da sua infância. Deixou aquele brinquedo. E abriu os olhos. De novo não enchergava nada? Ou será que não tinha aberto os olhos? Estava deitado e se mexia, mas não sabia o que fazia? Ou será que não se mexia?

Resolveu tocar os seus olhos, mas sua mão não chegou até eles. Não controlava mais o seu corpo. Estava em algum estado que não podia entender. De repente sua cabeça começou a doer. Como se algo tivesse batido nela. Era, naquele momento, a única coisa que sentia. A dor. A extrema dor que lhe despertava daquele estado. De repente outra pancada. Dessa vez mais forte. E foi nessa hora que despertou. Desportou de si mesmo. Mas não de dentro de si. Abriu os olhos e se viu no mesmo lugar. Podia ver a sua câmera há pouco abandonada ali por perto. E via, não a mesma bagunça, mas uma ainda pior.

As pancadas em sua cabeça era caixas. Caixas que despencaram de algum lugar e caíram em cima dele. Elas se abriram. E então ele viu que dentro de uma delas tinham fotos. Se aproximou e começou a olhá-las. Eram fotos de todas aquelas pessoas que já haviam passado por sua vida. "O Criativo", "O Distante", "A Sexy"... Todos esses ainda estavam frescos em sua memória. MAs também tinha fotos de algumas pessoas que ele nem mais lembrava. "A Brincalhona", "A séria", "O Diferente"... Todos eles estavam ali. Todos esperando para que ele os reencontrasse.

A outra caixa. Estavam algumas coisas que para ele não faziam sentido. Um coração, uma interrogação, um trevo de quatro folhas. O que seriam aquelas coisas? E por que estava tudo tão bagunçado?

Se levantou, irritado. Não aguentava mais tanta bagunça em sua vida. Resolvera que a partir de agora se trancaria ali e colocaria tudo em ordem. Era hora de agir! Resolveu começar por aquelas caixas. Pegou as duas caixas e então viu que na parte de fora delas estava escrito alguma coisa. Na que estavam as fotos estava escrito "PESSOAS" e na outra em letras pouco caprichadas e já bem desgastadas estava escrito "SENTIMENTOS". Já sabia o que fazer. Juntaria uma pessoa com um sentimento. E poderia assim começar a acabar com aquela bagunça. Mas onde as guardaria? O que faria com elas? Guardaria de novo naquelas caixas? Não sabia ainda. Mas depois que consertasse tudo saberia o que fazer com elas!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Câmera...


Estava tudo bangunçado!

Tudo revirado! Continuava sem saber aonde estava, mas estava tudo bagunçado! Era como se um furacão tivesse passado ali. Era como se o vento tivesse derrubado tudo! Algumas coisas pareciam familiares! Outras ele não fazia a menor idéia do que eram! Fotos, DVD's, brinquedos.


De repente ele viu algo acima da bagunça, algo em um lugar especial. Guardado e escondido. Seu brinquedo preferido de infância! Não podia se conter. Como se em instantes tivesse virado criança novamente correu para pegá-lo. Algo a sua esquerda lhe chamara a atenção. Um retrato, um aviso e uma lembrança. Era isso! Tudo ali eram lembranças! Suas lembranças...


Então era ali que estivera preso todo esse tempo? Dentro da sua própria cabeça? Por que estivera se aprisionando todo esse tempo? Porque deixou que ele mesmo permanecesse naquela agonia?


Procurou uma saída. Não era possível que nem da sua própria cabeça conseguiria escapar! Pobre humano. Será que ele não sabia que as pessoas não podem escapar de si mesmas? Que tudo o que você faz te persegue por toda a sua vida? Mesmo que você minta para todos. Você nunca mentirá para você mesmo. Era essa a sua realidade. Era assim que estava a sua vida. Bagunçada!


E naquele momento ele preferiu parar. Não havia mais nada o que fazer. Já sabia onde estava, já sabia o que queria. Mas sabia que sua vida sempre seria assim. Do mesmo jeito. Como um filme caseiro, filmado em uma câmera barata, rodando repetidamente em sua cabeça. Voltou para o seu brinquedo preferido de infância...

Câmera!

domingo, 11 de novembro de 2007

Luz...


"Talvez agora ele tenha aprendido. Talvez agora ele tenha realmente aprendido." Era isso que as pessoas possivelmente comentavam sobre ele. Era isso que possivelmente ele desejava para si mesmo. Ninguém disse que ia ser fácil. Mas a vida nunca é.


Ele abriu os olhos e se encontrou na mais profunda escuridão. Não enxergava nada, e consequentemente continuava sem saber para onde ir. Continuava querendo voltar para trás. Voltar para o passado. Procurou alguém. Não qualquer álguem mas aquele certo alguém. Não encontrou e foi aí que aconteceu. Foi no momento que percebeu que estava realmente só, que aquilo aconteceu.


Fraquejou, suas pernas tremeram e ele caiu para trás. Enquanto estava sentado procurou algo para ajudá-lo a levantar. Mas não via nada! Não havia nem um restíquo de luz que o fizesse enxergar algo. Onde estaria o interruptor daquela sala escura? Onde ele acharia uma luz para sair dali. De repente como um flash de luz, que não existia ali, ele se lembrou.


Buscou o bolso da calça, mas não o encontrou. Estava pelado! O desespero tomou-o por inteiro. O que tinha acontecido antes de chegar ali? Buscou por todo o seu corpo, tateando a si mesmo. Quando ele tocou o lado esquerdo do seu peito ele sentiu a pulsação e sabia que era ali que estava. Esticou a sua mão para frente e abriu-a. Era ela. Sua própria luz que agora iluminava aquele quarto. Era mais forte do que ele pensava. Uma alegria tomou conta do seu corpo e de repente a luz ficou mais intensa. Tão mais intensa que clareou todo o quarto e já saia pela as janelas. Foi neste momente de explosão de luz que ele viu.


Viu, não pela primeira vez, mas de um jeito que ele não via fazia muito tempo.

sábado, 10 de novembro de 2007

O Nunca (ou seria melhor 'O Nada'?)


E nunca havia sido assim... Nunca tão intenso. Nunca tão escuro. Nunca tão solitário.


Alguma vez haveria passado na sua cabeça que poderia chegar a esse ponto? Alguma vez pensou que as consequências não são só boas e ruins? Às vezes elas conseguem ser as duas coisas! Tanto boas quanto ruins! Será que realmente há males que vem para bem? Mas porque o bem nunca chegava? Por sempre que achamos que quando está ruim, ainda fica pior?


E nunca mais estaria daquele jeito. Do jeito especial. Do jeito único.

E nunca mais seria do mesmo jeito. Do jeito que era. Não era especial, nem único. Mas era forte! Era mais do que o corpo poderia mostrar ou suportar! Era mais que qualquer pessoa já vira.

Nunca mais seria daquele jeito. Mas estaria sempre ali. Sempre a rondá-lo. Sempre a espiá-lo.


Soava como o canto dos pássaros e ao mesmo tempo como o assobio da morte! Era o fim de tudo. E o tudo do fim. E nunca foi falado. Nenhuma palavra sequer. Mas todos sabiam que ali havia terminado o que nunca havia começado.


E aquela escuridão? E aquela solidão? Mera incubência da vida! Mera coincidência! Mera vontade de se sentir sozinho! De se sentir no escuro!


Mas maior que a vontade de estar sozinho... Era vontade de estar com a pessoa que sonhava todas as noites. Que pensava quando ouvia a música. Musica do canto dos pássaros! E sobretudo! Na pessoa que sonhava quando ouvia o assobio da morte.
E era por isso que só sairia da escuridão se fosse com aquela pessoa. A que havia arrebentado as correntes. Mas ao inves de vir resgatá-lo... Havia corrido. Corrido para algum lugar que não era ao seu lado.

Lembranças de uma outra vida


Começara com uma dor de cabeça. Uma dor mínima, quase que imperceptivel. Não deveria ser importante. Sabia que continuaria a viver. Que nada de ruim poderia acontecer. Continuou levando sua vida em frente. Sempre maquiando aquilo que lhe incomodava.

Mas agora vinha com mais força, uma força incontrolável. Algo que não sabia explicar mas que era mais forte que sua vontade de continuar seguindo em frente. Estava perturbado. Nada o agradava, tudo o irritava. Era como se a cada segundo uma explosão de ira viesse à tona dentro dele.

Era melhor parar de pensar naquilo. Era melhor voltar à sua escuridão. Porque não conseguia largar aquela outra vida para trás? Por que sempre que ficava só tinha vontade de voltar de onde tinha vindo.

Não aguentava mais. Não podia mais fechar os olhos e pensar no passado. Mas não podia abrir os olhos. Estava com medo de não ver a sua esperança. Estava com medo de quando abrir encontrar uma realidade diferente da que estava esperando.

E quando não há mais esperança? E quando não se sabe mais pra onde ir? E quando de repente tudo que você estava se apoiando cai e você ainda não tem suas próprias asas?
Preferiu continuar com os olhos fechados. Resolvera que só abriria quando aquela pessoa, com a qual possivelmete sonhara, segurasse sua mão disposta a lhe levar para longe dali.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Prólogo (antes do início)


Abriu os olhos. Estava tudo escuro. Não lembrava onde estava nem como fora parar ali. Não lembrava de mais nada. Girou o corpo. De repende viu ao longe em meio a uma luz branca alguém. Forçou a visão que ainda estava ruim por ter acabado de acordar. Reconheceu. Se lembrou. Era aquela a pessoa que estava esperando. Era ela que viria tirá-lo dali. Mas porque não vinha? Por que estava parado e não vinha pegá-lo?


Então ele viu outra coisa. O braço dela estava preso por uma corrente. Uma corrente que vinha da escuridão. Gritou, mas não saiu voz de dentro de si. Sabia agora que só lhe restava esperar. Fechou os olhos. Mas o rosto continuou em sua mente. Aquele rosto que o perseguiria para sempre. Que seria sempre a luz em meio à escuridão.


Abriu novamente os olhos mas não via mais nada! Estava agora sozinho na escuridão, a escuridão que o deixaria assim que começasse a viver.